Juíza da VEMSE e diretora da VIJ-DF palestram em seminário da infância e juventude
No último dia do Seminário da Infância e da Juventude – Prosa em Rede sobre Proteção Integral da Criança e do Adolescente (23/5), organizado pela Defensoria Pública do DF, palestraram a juíza Lavínia Tupy, titular da Vara de Execução de Medidas Socioeducativas do DF (VEMSE), e a diretora-geral administrativa da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal (VIJ-DF), Simone Resende.
A palestra da diretora Simone Resende foi realizada no painel “Enfrentamento da violência e interrupção do ciclo de violações pela inserção no mercado de trabalho de adolescentes em acolhimento institucional ou em conflito com a lei – a reinserção social dos egressos do sistema socioeducativo”. Simone exortou todos os presentes a refletirem sobre o que cada um está fazendo para a construção de um mundo melhor a fim de que crianças e adolescentes tenham mais oportunidades e estímulos para se desenvolverem no meio social.
Simone pediu que todos imaginassem um mundo ideal, no qual todas as famílias tivessem acesso a um ensino de qualidade e um sistema de saúde eficiente, com trabalho para todos. “É realmente tão difícil pensar em um país em que a formação de um cidadão de bem seja pensada de maneira sistêmica, trabalhando todas as políticas públicas para que se tenha vida em abundância em todos os pilares da nossa vida?”, questionou.
“Nós realmente estamos vendo o nosso próximo como um irmão, merecedor de abundância em todos os pilares da vida tanto quanto nós? Ou estamos preocupados somente com a nossa realização pessoal e atingimento pessoal da abundância?”, voltou a indagar Simone.
Exemplo de superação
Em sua apresentação, a juíza Lavínia Tupy, da VEMSE, apresentou o exemplo de um jovem egresso do sistema socioeducativo que, conforme a magistrada, demonstra ter um potencial muito grande para redigir. Ela contou que o rapaz escreveu uma autobiografia contando a sua história desde os 11 anos e mostrando toda a sua realidade como interno de uma unidade socioeducativa. Gabriel, segundo ela, tem o desejo de se formar em Direito e se tornar um tabelião.
“Esse rapaz é um exemplo entre vários outros que precisam ser apresentados para aqueles que acham que não é possível superar as dificuldades e recuperar quem cometeu uma infração. É necessário que as pessoas mudem seu entendimento, parem de estigmatizar aquelas que não tiveram o mesmo carinho e oportunidades que as demais. Se o adolescente errou, eu cito para eles a frase daquela música 'levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima'”, disse a juíza Lavínia.
Lavínia ressaltou a importância da educação na vida dos adolescentes. “Um dos fatores de proteção que pode trazer perspectiva de vida ao socioeducando é a aprendizagem, porque traz a possibilidade de gerar renda e viver o sonho de uma nova vida”, finalizou a magistrada.
Também participaram do evento o deputado distrital e vice-presidente da Comissão de Fiscalização, Governança e Controle da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leandro Grass; o subsecretário do Sistema Socioeducativo da Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude, Demontiê Alves Batista Filho; a subsecretária de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude do Distrito Federal, Adriana Faria; a coordenadora-geral de Assuntos Socioeducativos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Giselle Cyrillo; a assessora da Presidência da Escola Nacional de Administração Pública e coordenadora do Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência da ENAP, Anna Paula Eminella; a coordenadora do Núcleo de Atendimento Integrado, Juliana Rodrigues Pereira; o professor do Sistema Socioeducativo Mauro Evangelista; e a procuradora de Justiça do Ministério Público do Trabalho Ana Maria Villa Real.