Artigo de servidora da VIJ/DF retrata a busca às origens pelas pessoas adotadas

por LF - SECOM/VIJ — publicado 2019-11-28T17:56:00-03:00

Caminho de voltaQuando chegam à vida adulta, ou mesmo precocemente, muitas pessoas acolhidas em adoção sentem a necessidade de buscar suas raízes. Trata-se de direito assistido a elas de conhecer sua origem biológica e de ter acesso irrestrito ao processo adotivo, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente e em normativas internacionais.

As razões de regressar ao início dessa jornada pré-adoção, os motivos de não concretizar esse desejo e os benefícios da orientação profissional aos filhos e pais adotivos, bem como à família biológica constituem pontos de reflexão abordados no artigo “À procura de mim: o caminho de volta”, de autoria da servidora Thaís Botelho, secretária executiva da Comissão Distrital Judiciária de Adoção/TJDFT.

Thaís explora as razões pelas quais as pessoas desejam conhecer sua história, que vão desde reconhecer-se nos traços dos familiares, compreender a situação da entrega em adoção, como viviam a mãe e o pai biológicos, se há irmãos ou parentes. Interligar os fragmentos do princípio da vida, segundo a autora, “possibilita ampliar o autoconhecimento e a consciência de sua própria identidade sem, contudo, ter a intenção de substituir os que exercem a função parental de pai e mãe”.  

Ele pontua que o processo de busca de informações remonta a um passado ainda mais longínquo e argumenta com citação do escritor e psicólogo brasileiro Luiz Schettini Filho: “a história de cada um se inicia muito antes do seu próprio nascimento, antes mesmo da concepção. Quando se adota uma criança, adota-se todo um sistema familiar de pertencimento daquele infante, sendo seu vínculo com a família de origem permanente e indissolúvel”.

Conforme Thaís, conhecer as origens traz ganhos para toda a família. O grupo fica enriquecido em suas relações interpessoais, porque aumenta a confiança e diluem-se os sentimentos de culpa dos pais por não mais negarem à criança ao direito à sua história.  Contudo, ela alerta para que pais biológicos também possam ser ouvidos, respeitados e manifestem sua concordância em recontar suas histórias e reviver fatos do passado que certamente deixaram marcas emocionais em suas vidas.

Buscar as origens e refazer esse caminho requer cautela, competência e saber profissional para abordar os indivíduos envolvidos, na avaliação da autora. Ela, por fim, sugere que "a experiência e o saber técnico das equipes interprofissionais do Judiciário, vinculadas às varas da infância e da juventude e às comissões estaduais judiciárias de adoção internacional (CEJA E/OU CEJAI) são importantes ferramentas que deverão ser acionadas nesse caminho de volta", propõe.