TJDFT capacita agentes de segurança em questões de raça, gênero e pessoas com deficiência

por RM — publicado 2020-03-03T13:36:00-03:00

Foto-do-publico.jpgAtento à responsabilidade da sociedade para a superação das barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência e questões como racismo, preconceito e as dificuldades enfrentadas pelas minorias no Brasil, o TJDFT promoveu aos seus agentes de segurança nesta terça-feira, 3/3, a palestra “Gestão da diversidade - Equidade de gênero e de raça e a inclusão da pessoa com deficiência”. O evento faz parte do Programa de Reciclagem Anual de Seguranças e foi realizado no auditório Ministro Sepúlveda Pertence, localizado na sede do Tribunal.

A palestra, promovida pela Escola de Formação Judiciária do TJDFT, foi dividida em duas partes. A primeira delas foi ministrada pela psicóloga Simone Cosenza, do Núcleo de Inclusão – NIC do TJDFT, que contou a evolução da história da pessoa com deficiência no mundo, explicou a designação correta que deve ser adotada para estas pessoas, esclareceu aspectos legais relacionados ao atendimento destinado a elas e ressaltou a importância do trabalho dos seguranças e servidores do Tribunal na recepção de todos os cidadãos que entram nas dependências dos diversos fóruns.

“Pensem numa pessoa com deficiência chegando ao Tribunal, que enfrenta muitas barreiras no dia a dia. E se ela perceber que se precisar de qualquer auxílio vai ser bem tratada como qualquer outro cidadão? Vocês são o primeiro contato que essas pessoas têm ao chegar na justiça. É com vocês que elas se deparam. Quando elas precisam de algum auxílio, é a vocês da segurança que elas recorrem. Então, eu não tenho a mínima dúvida que a justiça começa por vocês”, destacou Cosenza.

O juiz do TJDFT Fabio Esteves, por sua vez, fez reflexões sobre a desigualdade racial e de gênero na sociedade brasileira, as dificuldades das mulheres em alcançar as mesmas conquistas dos homens, o egocentrismo e os padrões de sucesso no Brasil. Além disso, expressou seu conceito atual de racismo e questionou a meritocracia e a democracia racial existentes no país. Por fim, defendeu que, na sociedade, não basta que não sejamos racistas e machistas.

Foto1.jpg“Hoje a gente precisa fazer um pouco mais. Nós precisamos ser antirracistas, antimachistas e todos os anti que eu achar que devo, porque, embora o meu jardim esteja protegido, há pessoas que eu amo que estão longe dali, longe da minha proteção, e elas vão depender que alguém seja anti alguma coisa por elas”, ressaltou o magistrado.

O juiz explicou que ser antirracista “é abrir a mente para entender que a gente vive em país que se diz democrático, mas ainda tem profundas desigualdades. Aliás, é o segundo país mais desigual do mundo em matéria de renda. E isso tem tudo a ver com tudo aquilo que falamos hoje aqui. Sejamos antirracistas”, finalizou.

Ao final, os palestrantes, juntamente com Felipe Trigueiro Xavier Correia, vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – CONADE, participaram de um debate respondendo perguntas do público presente.

Fotos: ACS TJDFT