Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Núcleo Judiciário da Mulher capacita profissionais sobre escuta especializada e violência no namoro

por CS — publicado 13/10/2020

O Núcleo Judiciário da Mulher - NJM do TJDFT concluiu, na última semana, o primeiro ciclo de capacitação do Maria da Penha Vai à Escola – MPVE para as 14 Coordenações Regionais de Ensino da Secretaria de Educação do Distrito Federal - CREs. A atividade está inserida na 1ª etapa do programa, que prevê a formação de orientadores educacionais, psicólogos e pedagogos que compõem o Serviço Especializado de Apoio à Aprendizagem da SEEDF.

Ao longo de oito semanas, foram capacitados 922 profissionais sobre a temática da escuta especializada de crianças e adolescentes no contexto escolar. As atividades aconteceram de forma on-line em respeito às recomendações de isolamento social. Para a supervisora do NJM, Andréia Soares, o ciclo é um marco importante na história do MPVE, pois até então, em quatro anos do programa, haviam sido alcançadas 10 das 14 regionais. Com o formato virtual, foi possível alcançar todas as CREs.

“Este mês, iniciamos o segundo ciclo para este mesmo público, a fim de capacitá-los na temática gênero, violência contra as mulheres e Lei Maria da Penha. As formações irão até dezembro por meio de webinários semanais”, adianta a supervisora.

Violência no Namoro

Teve fim, também, o minicurso piloto Violência no Namoro, Não, mais uma frente de trabalho do programa Maria da Penha Vai à Escola, que, além de capacitar os educadores, tem como intuito a elaboração de informativos e cartilhas para familiares, profissionais da educação e para os próprios adolescentes sobre a temática.

O curso foi ministrado pela juíza Gislaine Carneiro, coordenadora do Núcleo Judiciário da Mulher e titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Santa Maria, pela psicóloga e servidora do NJM, Priscila Parada, e pelo defensor público Felipe Zucchini Coracini, que atua na área infracional no Núcleo da Infância e Juventude, além de outros servidores do NJM.

A magistrada destacou que a violência contra as mulheres é uma realidade que assola o mundo e é especialmente marcada por muitos fatores de risco quando direcionada a adolescentes e jovens, em relacionamentos como o namoro.

Segundo a juíza, a cada dia são registradas dezenas de ocorrências policiais, que têm como vítimas adolescentes de 15, 16 a 17 anos de idade que já experimentam relacionamentos permeados por violência moral, psicológica e física.

“Essas meninas e adolescentes vivenciam fatores graves de risco, pois além da vulnerabilidade de gênero há a vulnerabilidade etária. Ou seja, essas vítimas ainda estão em franco desenvolvimento psicossocial, muitas vezes, não possuem modelos de relacionamentos não abusivos, estão inseridas em uma sociedade, cuja estrutura é machista e, assim, atos de ciúmes, controle, dominação são normalizados como paixão ou cuidado”.

A magistrada explica que o minicurso visa justamente capacitar os profissionais de educação para que sejam multiplicadores de estratégias que possibilitem reconhecer a violência contra as mulheres, suas especificidades, a legislação protetiva e, com isso, formar alunos e alunas com mais informações e liberdade para fazer melhores escolhas.

Priscila Parada considera que o projeto piloto permitiu uma maior aproximação dos desafios enfrentados pelos educadores e também das potencialidades das ações que eles realizam. “Estamos muito contentes com os resultados e as avaliações positivas, além das sugestões de melhoria, muito ricas. Esperamos que esse tipo de ação traga impacto na realidade das adolescentes e jovens adultas e possa fortalecer a atuação preventiva."

Com base nas avaliações de reação, os servidores responsáveis pela atividade concluíram que a questão merece atenção e que a capacitação na área tem grandes potencialidades. “Estamos implementando alterações para melhorar a didática e focar o curso em situações que conversem com a realidade vivida nas escolas”, comentou a supervisora do NJM, Andréia Soares.