Seminário de Inovação aborda teletrabalho e Judiciário 4.0

por ACS — publicado 2020-10-08T14:33:00-03:00

MATERIA-seminario-inovacao.jpgA realidade do teletrabalho, laboratórios de inovação e Judiciário 4.0 foram os temas centrais tratados no segundo dia do I Seminário Nacional de Gestão e Inovação no Judiciário – A Justiça na era digital, que aconteceu na manhã desta quinta-feira, 8/10, e foi transmitido por meio do canal do Tribunal no YouTube para uma audiência de mais de 1,5 mil pessoas. Clique aqui para assistir ao vídeo do segundo dia do Seminário.

Promovido pela Escola de Formação Judiciária – Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro, o evento contou com palestrantes renomados nas áreas de gestão e inovação, que discorreram sobre os desafios que o Judiciário enfrenta para prestar um serviço mais moderno, seguro e dinâmico para a sociedade, sem descuidar do bem estar de seu público interno, hoje, majoritariamente em teletrabalho, em função da pandemia.

piccoli.jpgMediado pelo Juiz Jayder Ramos de Araújo, o primeiro painel da manhã contou com a participação do advogado Ademir Piccoli, autor do livro Judiciário Exponencial, para quem o processo de mudanças no Judiciário deixou de ser uma alternativa, para tornar-se “imperativa”, com o necessário apoio das lideranças. “Não há inovação sem o patrocínio da liderança”, que seria a responsável por dar condições para que as transformações sejam feitas, o que requer uma mudança de cultura. “Impossível promover uma transformação na instituição sem trabalhar a cultura da instituição”, concluiu. O advogado apontou um caminho para o futuro, com o Judiciário 4.0, propiciado pelos processos de inovação, em especial pela Inteligência Artificial – AI, “que tem maior poder de transformar e que vem tomando corpo em diversos tribunais”. Com a AI, no futuro, o juiz será “mais gestor e menos artesanal”, concluiu.

Isidro.jpgO segundo painel foi mediado pela servidora do TJDFT Luana Andrada, e contou com a participação do Professor Antonio Isidro, Coordenador do LineGov UnB – Laboratório de Inovação e Estratégia em Governo e da Secretária da Escola de Formação do TJDFT, Arlete Rodrigues. O professor Isidro apontou o Tribunal 4.0 como grande “desafio da transformação no Judiciário”, tendência global, que deve ser intuitivo, integrado, seguro e interativo, com serviços fácil de usar, serviços disponíveis a qualquer hora. A Secretária do TJDFT, por sua vez, falou sobre desenvolvimento de competências e seu impacto na atividade jurisdicional. Apresentou dados de um estudo realizado em ação educacional da Escola de Formação do TJDFT que apontou melhorias no desempenho das atividades, melhoria técnica e atitudinal com ganhos para a instuição, para os servidores e para o jurisdicionado. Para ela, investir na formação dos servidores é um caminho importante para uma prestação jurisdicional de qualidade.

Luciana.jpgO painel sobre laboratórios de inovação no Judiciário foi mediado pelo Juiz Pedro Yung-Tay, e contou com a Juíza Luciana Zanoni, uma das criadores do iJusplab, primeiro Laboratório de Inovação do Judiciário, no TRF3, em São Paulo, e do Diretor da AMB e vice Diretor-Presidente da ENM, Angelo Bianco. A magistrada paulista elogiou o TJDFT pelo recente lançamento do Laboratório Aurora e apresentou sua experiência em inovação no TRE3. Falou da importância da conexão do laboratório com o centro local de inteligência, da constante necessidade de investimento em capacitação, além da técnica de Design Thinking, para “aprender uma nova forma de se fazer serviço público”. Angelo Bianco, por sua vez, falou da importância da atuação em rede, de uma comunidade de inovação para a troca de ideias e para melhorar a eficiência das instituições. 

tevah.jpgPor fim, os participantes foram brindados com uma palestra espirituosa proferida pelo Diretor-presidente da DE Consultores Associados, Eduardo Tevah. Com experiência na iniciativa privada e em órgãos públicos, Eduardo palestrou sobre teletrabalho, produtividade e efetividade da Justiça na época do processo eletrônico. Para ele, o teletrabalho é uma “tendência irreversível em nossas vidas”, impulsionada pela pandemia, que acelerou o processo de mudanças e digitalização.

Ele falou ainda da importância dos servidores aumentarem seu “repertório de competências”, durante uma época em que o conhecimento aumenta exponencialmente. Eduardo Tevah apresentou dados para comprovar a tendência do teletrabalho no serviço público e citou o TJDFT como “uma das melhores expressões dessa nova realidade”. De forma bem-humorada, falou sobre os desafios enfrentados pelos magistrados e servidores em teletrabalho, com demandas familiares e rotinas de casa, tentando manter a produtividade e a saúde mental. Para ele, a produtividade será aumentada com a constante capacitação, com a padronização de processos, disciplina e aumento da capacidade de resolver assuntos de forma autônoma. 

Por fim, elogiou o TJDFT, pelo incentivo à inovação: “não tenho a mínima dúvida de que o que vocês estão fazendo nesse seminário nacional é mostrando aquilo que vai mudar a história da Justiça no Brasil. Vocês estão dando todos os passos – seja no Laboratório de Inovação, seja na Escola de Formação. Vocês estão concluindo o alicerce técnico onde a Justiça, com pessoas competentes, aliado à tecnologia, tende a solucionar problemas que ficaram sem solução, quem sabe, pelos últimos 20 a 30 anos”, concluiu.

I Seminário Nacional de Gestão e Inovação no Judiciário – A Justiça na era digital continua nesta sexta-feira, 9/10, às 9h. Vale lembrar que qualquer pessoa pode acompanhar as palestras por meio do canal do TJDFT no YouTube.