Paz em Casa: oficina reúne jornalistas para discutir diretrizes da cobertura de violência doméstica
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), por meio do Núcleo Judiciário da Mulher (NJM), promove nesta segunda-feira, 21/8, o segundo dia da oficina Diálogos com a Imprensa. A iniciativa foi produzida pelo NJM, em parceria com o Laboratório de Inovação Aurora e a Assessoria de Comunicação Social do TJDFT, e destina-se a jornalistas, editores e assessores de comunicação. Ainda há vagas.
A proposta tem como objetivo a construção coletiva de um documento que reúna diretrizes para a cobertura midiática sobre situações de violência doméstica e familiar contra as mulheres e feminicídio. O evento acontece em comemoração ao 17º aniversário da Lei Maria da Penha, celebrado neste mês de agosto, e integra a XXIV Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa, que aconteceu de 14 a 18 de agosto, simultaneamente, em todos os tribunais do país.
Nesse segundo momento de formação e debate, a oficina conta com a participação da Promotora de Justiça Gabriela Gonzalez, do MPDFT, que vai apresentar um estudo sobre o efeito copycat nas coberturas midiáticas sobre feminicídios. Em seguida, as equipes do AuroraLab e do NJM propõem um estudo de caso e uma oficina dinâmica para construção de um guia de cobertura jornalística sobre o tema.
A ideia dos organizadores é que a imprensa e os comunicadores se entendam enquanto integrantes da rede de proteção, na promoção de abordagens com perspectiva de gênero e na prevenção da violência contra as mulheres. As atividades acontecem, das 9h às 12h, no AuroraLab, localizado no térreo da sede do TJDFT. Haverá certificado de participação. Inscreva-se!
Números
Entre os temas já debatidos no primeiro dia de encontro, o TJDFT destaca a importância das ferramentas disponibilizadas pela Lei Maria da Penha para prevenção da violência e proteção da vítima, entre elas as medidas protetivas de urgência.
Desde que a Lei do Feminicídio (Lei 13.104/15) entrou em vigor, em 2015, até a última quarta-feira, 9/8, foram confirmados 169 casos de feminicídios no Distrito Federal. Desses, cerca de 70% (67,3%) das mulheres vitimadas nunca haviam registrado ocorrência contra os agressores, conforme Painel de Feminicídios da Secretaria de Estado da Segurança Pública do DF (SSP/DF).
Além disso, foram concedidas cerca de 12 mil medidas protetivas pelo TJDFT, em 2022, sendo que no mesmo ano, segundo a SSP/DF, registrou-se o descumprimento de 1.762 decisões que deferiram medidas protetivas e 16 feminicídios. Dessa forma, os dados indicam que a medida protetiva pode interromper a violência na ampla maioria dos casos.
O Sindicato dos Jornalistas do DF (SJPDF), o Instituto Patrícia Galvão e o MPDFT apoiam o evento.