Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Diálogos com a Imprensa: TJDFT encerra oficina com construção de diretrizes para cobertura de casos de violência contra as mulheres

por CS — publicado 21/08/2023

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), por meio do Núcleo Judiciário da Mulher (NJM), do Laboratório de Inovação Aurora e da Assessoria de Comunicação Social do TJDFT encerrou, na manhã desta segunda-feira, 21/8, a primeira oficina Diálogos com a Imprensa, idealizada e promovida para discutir a cobertura jornalística dos casos de violência doméstica e familiar contra as mulheres e feminicídios.  

audiodescrição: Promotora de Justiça Gabriela Gonzalez, em pé, ouve a pergunta de um dos participantes da oficina. A ação foi totalmente voltada a jornalistas, editores e assessores de comunicação e contou, no primeiro dia, com a participação da Juíza Coordenadora do NJM e titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar do Riacho Fundo, Fabriziane Zapata; e da diretora e editora-chefe do Instituto Patrícia Galvão, Marisa Sanematsu. A entidade paulista é especializada na análise de notícias com perspectiva de gênero, há mais de 20 anos.  

Nesse segundo dia de atividades, a convidada foi a Promotora de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Gabriela Gonzalez, que apresentou estudo sobre o efeito copycat ou efeito contágio nas reportagens feitas pela mídia dos casos de feminicídio. Entre os dados trazidos, está o de que, nos seis primeiros meses do ano, observa-se uma sequência de mortes (cinco em janeiro, duas em abril e mais cinco em junho), em datas basicamente sucessivas.  

Segundo a representante do MPDFT, o "feminicídio é um crime evitável, não é silencioso”. E questionou: “Será que uma atuação diferente da imprensa poderia ter levado uma dessas vítimas a denunciar, a buscar ajuda, a pedir uma medida protetiva em seu favor?”. A Juíza Fabriziane Zapata disse, ainda, que “tudo que uma mulher vítima de violência doméstica precisa é de um ponto de apoio, ser ouvida sem ser julgada”.  

Assim, a Promotora reforçou a importância da imprensa no estímulo ao debate, na conquista de direitos e na construção de políticas públicas. "A mídia é nossa maior aliada na prevenção coletiva. Por meio do trabalho de vocês, é possível mostrar à vítima que tem como se defender, que pode ser diferente", afirmou.  

Guia de diretrizes 

audiodescrição: Promotora e Juíza observam enquanto um grupo de participantes discutem estudo de caso, numa das mesas da oficina.Em seguida, as equipes do AuroraLab e do NJM propuseram alguns estudos de caso aos participantes, debate sobre as reportagens estudadas e uma oficina para construção conjunta de um guia de cobertura jornalística sobre o tema.

A ideia é que o guia reúna diretrizes para uma cobertura informativa, descritiva, mais humanizada, não-revitimizadora e com acesso a diversas fontes.  

O evento integra o calendário em comemoração ao 17º aniversário da Lei Maria da Penha, celebrado neste mês de agosto de 2023, e faz parte da programação da XXIV Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa, que aconteceu de 14 a 18 de agosto, simultaneamente, em todos os tribunais do país.   

Os participantes que realizaram inscrição receberão certificado de participação. 

Fotos: Bel Daher