Maria da Penha & Você: Podcast do TJDFT aborda importância da intervenção em grupo
Como parte da programação da XXIII Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa, o Núcleo Judiciário da Mulher (NJM) do TJDFT disponibiliza, nessa segunda-feira, 6/3, o primeiro episódio de 2023 do podcast Maria da Penha & Você. Na edição deste mês, o tema será o Fenômeno da violência contra as mulheres e a intervenção em grupo e a convidada para abordar o assunto é a assistente social do TJDFT, Márcia Borba.
A servidora explica que a violência contra meninas e mulheres é reconhecida como um fenômeno social e tem suas raízes em fatores históricos, culturais, sociais, institucionais, familiares e individuais. Segundo ela, a violência perpassa “por questões de gênero de uma sociedade machista e patriarcal, que além das relações desiguais de poder, tem suas relações baseadas na dominação e exploração de gênero, raça e classe social. Isso quer dizer que gênero é relacional e não se refere individualmente a homens ou mulheres, mas às relações entre eles e à forma como essas relações são concebidas socialmente”.
Diante desse cenário, a entrevistada observa que o trabalho em grupo deve ter como foco principal uma perspectiva de gênero. Essa intervenção poderá servir como recurso mobilizador para que mulheres que vivenciam situações de vulnerabilidade decorrentes da violência de gênero se reconheçam e reflitam sobre sua condição de sujeito de direitos, nas relações sociais familiares e conjugais, para que tal processo de tomada de consciência seja um dos fatores fundamentais para saída de uma trajetória de violência.
“No grupo, pode-se trabalhar os papéis sociais, familiares e de gênero, que envolvem essas relações e que criam aprisionamento nos relacionamentos abusivos. A mulher consegue perceber que sua história não é só sua, mas de todas as mulheres. Portanto, o espaço grupal tem um potencial elevado de ser um espaço de transformação social”, avalia Márcia Borba.
No que se refere aos homens, a especialista explica eles estão submetidos à socialização masculina, machista e patriarcal que traz efeitos sobre si e sobre os outros e essa forma de socialização traz prejuízos pessoais, relacionais e sociais. Um exemplo é o fato de homens praticarem violência contra si próprios. Estatisticamente, o público com maior índice de autoextermínio (suicídio). Assim como, violência contra outros homens (violência urbana e homicídio) e violência contra as mulheres (violência de gênero e feminicídio).
A assistente social reforça que a intervenção em grupo amplia o foco para o coletivo, sem perder de vista os aspectos individuais implicados nas relações permeadas pela violência. “Os homens precisam perceber que as situações que os levaram à Justiça são decorrentes de uma história permeada por relações abusivas e exercício de poder e não se referem apenas a um fato. Que a ação das mulheres foi uma busca pela interrupção da violência e o desejo de serem ouvidas pelo estado. O trabalho em grupo faz com que os homens reflitam sobre sua relação consigo, com o outro e com o social e, assim, reconheçam os efeitos de suas ações e se responsabilizem pelas mudanças necessárias para estabelecer relações baseadas no respeito e reconhecimento do outro como sujeito de direitos”.
A rede de proteção do Distrito Federal dispõe de vários locais de atenção para mulheres e homens em situação de violência. O NJM reuniu todos esses espaços em um catálogo, que pode ser acessado na página do Núcleo.
O site também disponibiliza informações sobre os trabalhos realizados com autores de violência, como o Manual de Orientações Teórico-Práticas do NJM/TJDFT sobre Grupo Reflexivo de Homens e também o Manual Grupo Refletir, sobre grupos reflexivos para profissionais da segurança pública autores de violência doméstica e familiar contra a mulher, ação inovadora realizada pelo NJM em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSPDF). Acesse e informe-se.
Acesse na íntegra o episódio Fenômeno da violência contra as mulheres e a intervenção em grupo.
Podcast
O programa Maria da Penha & Você é uma produção do Núcleo Judiciário da Mulher, em parceria com a Assessoria de Comunicação Social do TJDFT. O objetivo é levar conhecimento sobre a Lei 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha, e demais legislações que visam combater a violência contra a mulher, com foco em evitar novos delitos.
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