Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Casal conta experiência de acolher temporariamente crianças em sua casa

por DA — publicado 16/04/2024

Leopoldo, homem branco, com cabelos e barba pretos, usando óculos, abraça bebê acolhido em frente a uma estante de livros. A casa de Silvia Helena Drummond e Leopoldo Costa foi o lar temporário de três crianças que precisaram ser afastadas de sua família de origem em virtude de ameaça ou violação de seus direitos. Os dois integram o Serviço de Família Acolhedora, que une meninos e meninas que estão sob medida protetiva de acolhimento e adultos dispostos a acolhê-los. A criança ou adolescente fica no lar temporário até poder retornar à sua família biológica ou ir para adoção.   

O casal sabia da existência do serviço de acolhimento familiar em outros estados do Brasil. Durante a pandemia, descobriram que era realizado em Brasília pelo Aconchego (Grupo de Apoio à Convivência Familiar e Comunitária). Sensibilizados com as necessidades daquele momento, resolveram se capacitar para acolher crianças em sua casa. Em 2021, foram habilitados como família acolhedora e, em 2022, após uma experiência como família de apoio ao serviço, fizeram o primeiro acolhimento.

Próximo ao Natal de 2022, Silvia e Leopoldo receberam em sua casa um casal de gêmeos recém-nascidos, quando a filha mais velha deles, Clara, hoje com dois anos, também era um bebê. Os irmãos ficaram com a família até o Carnaval do ano seguinte. Depois de um período de os gêmeos terem deixado a casa da família, receberam uma menina de idade semelhante à da filha do casal. “É muito apaixonante. Depois que a gente acolhe o primeiro, é difícil não acolher o segundo”, declara Leopoldo.

Acolher apesar dos desafios

Leopoldo, homem branco, com cabelos e barba pretos, usando óculos, dorme abraçado com dois bebês acolhidos.“Quem acolhe também é acolhido. Ninguém sai desse processo como entrou, sai melhor”, defende Leopoldo. Isso não significa que não houve desafios ao acolhimento familiar. “Na primeira noite que você está com a criança, você fica com aquele friozinho na barriga, mas tudo vai se ajeitando”, lembra o casal. Eles recordam o desafio de ter três bebês em casa e as demandas de saúde, alimentação e atenção inerentes a essa fase da vida. Falam da necessidade de adaptação da rotina, do tempo, do convívio familiar e de itens materiais necessários ao dia a dia da criança. “Nós estávamos em trabalho remoto total, então, isso facilitou bastante”, contam.

Apesar das necessidades de tempo e recursos para o acolhimento, eles reforçam que isso não é o essencial. “Muitos acham que é preciso ter uma casa grande para receber uma criança. Mas não é espaço ou dinheiro de que uma criança precisa, mas acolhimento, saber que está sendo amada”, defende a família. Eles também acreditam que nunca haverá um momento perfeito para o acolhimento. “Várias pessoas entram no curso de habilitação com receio, não se sentindo capazes. O Aconchego nos capacita para isso. Não é preciso parar a vida para você acolher”, fala Silvia.

Outro desafio é envolver as pessoas do convívio no processo de acolhimento, visto se tratar de um projeto para a família toda. “Desde o início, a gente explicou para a Clara que era algo temporário; os bebês estavam precisando de ajuda e a gente tinha que dar muito amor, mas que depois eles iriam para casa”, lembra Leopoldo. Também foi preciso esclarecer a situação às pessoas do convívio próximo. “Às vezes nos faziam muitas perguntas, curiosos para entender a situação daquelas crianças. Explicávamos que era um acolhimento familiar temporário, que eles não ficariam em definitivo conosco, que não se tratava de adoção, sempre com o cuidado para preservar a privacidade daquela história”, conta Leopoldo.

Também entre os grandes desafios do acolhimento familiar, e ponto de dúvida de muitas famílias, está o processo de desacolhimento, quando a criança deixa o lar temporário. “Dói, é claro. Mas isso significa que a gente fez o trabalho certo. Somos adultos, temos apoio e maturidade para lidar com isso”, pontuam Silvia e Leopoldo. Eles relatam que, apesar da saudade das crianças, pensaram no bem maior do final do acolhimento. “Quando sabemos da alegria da criança e da família que a está reencontrando ou adotando, a gente se sente bem”, fala Silvia. O casal lembra que buscou se despedir de maneira leve para os dois lados.

Para superar os desafios, foi preciso saber pedir ajuda, que veio da família, de amigos e do próprio Aconchego e sua rede. “Sem esse suporte, a gente não teria dado conta”, ressalta Silvia. Ela e o marido defendem que também é preciso ser honesto com relação ao processo. “A equipe do Aconchego sempre nos disse que mais importante que dizer sim é saber falar não”, diz Silvia. Inicialmente, a família escolheu crianças mais velhas como perfil a ser acolhido, mas o alteraram com a chegada da filha e as novas necessidades da família, de modo a viabilizar o acolhimento temporário. Mesmo com os desafios, Silvia e Leopoldo seguem abertos ao acolhimento. No momento, estão em pausa à espera do nascimento da segunda filha do casal, Sofia. 

Como se tornar família acolhedora 

Para quem reside no DF, o primeiro passo é procurar o Aconchego. Cada estado tem uma entidade executora. Saiba mais no portal da Coalizão Família Acolhedora 

Demonstrado o interesse, o candidato passa por entrevista, visita domiciliar, avaliações e capacitação com seis encontros no formato híbrido – presencial e on-line. O processo de habilitação ainda inclui encontros opcionais de tira-dúvidas.  

As etapas existem para avaliar motivações, disposição, desejo e habilidades do núcleo familiar para acolher uma criança ou adolescente. 

Para se inscrever ou tirar dúvidas sobre o programa, entre em contato com o Aconchego.   

Telefones: (61) 3963-5049 / (61) 99166-2649   

E-mail: familiaacolhedora.aconchego@gmail.com   

Instagram: @aconchegodf