Entidades de acolhimento recebem capacitação e guia inédito para cuidados de crianças e adolescentes autistas

O evento integrou a programação do Mês da Primeira Infância e contou com palestras de especialistas no tema. O terapeuta ocupacional Vinícius Reis falou sobre atenção humanizada a crianças e adolescentes no Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente à luz da compreensão do desenvolvimento infantil típico e atípico. “A compreensão da criança com transtornos ou deficiência como indivíduo de direito e digno de atenção humanizada é o caminho para que o cuidado seja eficiente. O conhecimento e a capacitação são uma ferramenta poderosa para cuidar com amor”, refletiu Vinícius.
A médica Ellen de Sousa Siqueira, neuropediatra do Hospital de Apoio, explicou o que é autismo e suas necessidades de atenção e tratamento diferenciado (prevenção e manejo de comportamentos de risco). Ela esclareceu que os transtornos de neurodesenvolvimento, como o autismo, o TDAH e a dislexia, persistem ao longo de toda a vida e geralmente estão associados. “É muito raro um autista ser só autista”, afirmou a neuropediatra.
A psicóloga Beatriz Montenegro, da Gerência de Normatização do Cuidado em Saúde Mental da SES-DF, apresentou a rede ampliada de cuidados para crianças e adolescentes do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, a previsão é de que até outubro deste ano a população do Distrito Federal passe a contar com os serviços do Centro de Referência em TEA (Cretea), que tem entre seus objetivos atuar como referência técnico-assistencial para a rede de saúde infantojuvenil.

Para Aline Ferreira, psicóloga do Lar de São José há 18 anos, 11 deles como coordenadora, o minicurso oferecido foi uma semente plantada para que os cuidadores dos serviços de acolhimento possam avançar cada vez mais na qualificação do atendimento aos acolhidos. “Não podemos pensar que o básico basta para cuidar dessas crianças, pois elas merecem o melhor”, disse Aline. Segundo a coordenadora técnica da entidade, psicóloga Elaine Maria da Silva, o minicurso foi avaliado positivamente pelas cuidadoras, que pediram para que haja mais momentos de capacitação como esse.
O minicurso contou com a presença também das servidoras Ivânia Ghesti e Noriete Celi da Silva, da Assessoria da CIJ/TJDFT, e da pedagoga Loiane Schmitt, da Diretoria de Serviços de Acolhimento de Crianças e Adolescentes da Sedes-DF. A intenção da CIJ/TJDFT é ouvir as necessidades de capacitação das equipes dos serviços de acolhimento e reforçar as parcerias para realização de outros cursos e ações para esse público, que cuida diretamente das crianças e adolescentes afastados do lar por medida protetiva.
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