TJDFT celebra avanços dos nove anos do Marco Legal da Primeira Infância

Embora a primeira infância já fosse tratada em outras leis, o Marco Legal destacou a importância dos primeiros anos da vida para a formação do ser humano e trouxe políticas próprias para garantir os direitos nessa fase. “A primeira infância representa tanto o período de maior vulnerabilidade quanto de maior oportunidade para o desenvolvimento das competências necessárias ao pleno exercício da cidadania, ao longo de todo o ciclo vital”, explica a servidora da Coordenação da Infância e da Juventude (CIJ) Ivânia Ghesti.
A lei foi promulgada após consideração de avanços científicos e as boas práticas nacionais e internacionais na área e amplo debate do parlamento com a sociedade civil e os órgãos governamentais, inclusive do TJDFT. O Tribunal também ajudou com o apoio especializado à Frente Parlamentar da Primeira Infância no processo de construção do Marco Legal e na implementação em interface com o Sistema Único de Assistência Social (Suas).
Além de ajudar a tornar a norma realidade, o TJDFT ajudou a ampliar a participação do Sistema de Justiça na implementação do Marco Legal da Primeira Infância. Isso aconteceu por meio da realização de cursos e eventos para os atores do sistema de garantia de direitos infantojuvenil e a comunidade, da participação em reuniões, impressão e distribuição da noma, entre outras ações.
Avanços e desafios

Um segundo grande avanço foi a criação do programa governamental de apoio às gestantes e famílias com crianças na primeira infância, o Programa Criança Feliz/Primeira Infância no Sistema Único de Assistência Social (Suas). A iniciativa alcançou mais de 3 mil municípios com realização de visitas domiciliares sistemáticas e apoio intersetorial. No DF, o programa foi implementado em 2019 como Programa Criança Feliz Brasiliense, mas sofreu descontinuidade. “Isso revela a importância de estruturação de ações sociais como política de Estado, não de governo”, esclarece a representante da CIJ.
Além das duas ações, uma série de políticas públicas foram criadas ou aprimoradas. A Caderneta de Saúde foi transformada em Caderneta da Criança para inclusão das áreas de Educação e Assistência Social junto à de Saúde. Foi iniciada a elaboração de planos pela primeira infância, criado o Observatório da Primeira Infância (ANDI/RNPI). Também houve a disseminação da importância do direito ao brincar e do apoio à parentalidade desde a primeira infância.
Sob iniciativa do Judiciário, um avanço fundamental foi a criação do Pacto Nacional pela Primeira Infância, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 25 de junho de 2019. O Pacto incentiva a integração entre os Três Poderes, a sociedade civil, as empresas e organismos internacionais para possibilitar a atuação intersetorial e interfederativa da Lei 13.257/2016.
Para Ivânia Ghesti, o DF tem potencial para se tornar um exemplo de implementação do Marco Legal da Primeira Infância. "Para isso, precisa priorizar, na prática, políticas públicas para a primeira infância, infância e adolescência em geral, visto que ainda falta infraestrutura para execução das ações previstas em lei, tanto de equipamentos como de equipes em número suficiente", defende. A falta de governança colaborativa também é apontada como um desafio a ser enfrentado para se alcançar a integração entre os vários serviços e viabilizar a integralidade do atendimento, considerando a criança em seu contexto familiar e comunitário.
Conheça mais sobre o Pacto Nacional da Primeira Infância e as ações do TJDFT em prol da infância e juventude nas matérias da série especial de aniversário do Marco Legal da Primeira Infância.