Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

No Dia Mundial da Adoção, 98 crianças e adolescentes aguardam por uma família no DF

por AML — publicado 07/11/2025

Audiodescrição: Mãos de criança desenham uma família com giz. No Dia Mundial da Adoção, celebrado em 9/11, o Brasil tem mais de 5.630 crianças e adolescentes à espera de uma chance de ter uma família. Destes, 98 estão no Distrito Federal. Os dados são do Painel de Acompanhamento do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Por trás desses números, existem histórias, sonhos e o direito fundamental de crescer em um lar.

A data é, então, um convite para celebrar os laços de amor já formados, mas também um chamado para conhecer, refletir e agir sobre essa realidade. Por isso, a Justiça da Infância e da Juventude (JIJ) do Tribunal da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), reforça a importância da adoção como um instrumento que promove a convivência familiar, estimula o desenvolvimento saudável e garante o direito fundamental de toda criança e adolescente de crescer em um ambiente protetor, estável e afetivo.

“A Justiça da Infância e da Juventude atua na defesa dos interesses do adotado visando assegurar-lhe do direito ao convívio familiar e comunitário. Assim, nosso trabalho é técnico e, ao mesmo tempo, sensível na medida necessária para transformar vidas”, explica o juiz titular da 1ª VIJ e coordenador da Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJDFT, Evandro Neiva.

Fila de adoção

Os números nacionais e locais revelam um desafio persistente: a dificuldade em encontrar famílias para um perfil específico das crianças e adolescentes. A grande maioria dos pretendentes à adoção busca recém-nascidos ou crianças pequenas, sem problemas significativos de saúde ou desenvolvimento e sem irmãos. No entanto, a realidade das crianças que aguardam é outra. No DF, elas são:

  • Crianças e adolescentes mais velhos (adoção tardia): 28 delas têm até seis anos de idade, 52 têm entre seis e 14 anos e 18 delas têm 15 anos ou mais. São jovens cheios de personalidade e potencial, à espera de uma oportunidade para encontrar um lar e continuar suas histórias em uma família adotiva;
  • Grupos de irmãos: Separar irmãos é um trauma adicional. Entre as crianças que aguardam para serem adotadas, apenas 23 não têm irmãos. As outras 65 têm de um a três e 10 têm mais de três irmãos. A adoção do grupo inteiro preserva um vínculo fundamental e afetivo;
  • Crianças com necessidades especiais de saúde ou deficiência: no grupo, há seis crianças com deficiência física, nove com deficiência física e intelectual e outras 23 com alguma questão de saúde. Todas elas precisam de cuidados específicos, mas, acima de tudo, precisam de amor, paciência e uma família que acredite em seu potencial.

Audiodescrição: Papel com desenho de um coração vermelho pendurado em um varal. Processo de adoção

O desejo de adotar deve ser acompanhado de informação. O processo é estabelecido por lei e prioriza o melhor interesse da criança. Por isso, há várias etapas que precisam ser cumpridas de forma cautelosa. São elas:

1 - Habilitação: manifestação de interesse na Justiça por meio de representante legal e participação em preparação psicossocial e jurídica,  com avaliações psicossociais. O foco é preparar, e não impedir;

2 - Inscrição no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento(SNA): depois de habilitados, os pretendentes são inscritos no CNA, sistema que cruza seus dados com o perfil das crianças e adolescentes que aguardam por uma família adotiva em todo o país;

3 - Busca e aproximação: Quando identificada a compatibilidade, inicia-se um processo cuidadoso de aproximação, acompanhado pela equipe técnica do Núcleo de Adoção/NUCAD da 1ª VIJ. Isso permite a construção de vínculos;

4 - Convivência e decisão: Após período de convivência, sempre acompanhado pela equipe técnica do NUCAD, a adoção pode ser aprovada por meio de decisão judicial, tornando os vínculos legais e irrevogáveis.

Convite à sociedade

Neste Dia Mundial da Adoção, a Justiça da Infância e da Juventude do TJDFT convida você a refletir:

Se você pensa em adotar no DF: Informe-se. Quebre preconceitos e considere abrir seu coração e seu lar para uma das 98 crianças e adolescentes que esperam por uma chance;

Se a adoção não for seu caminho: torna-se um padrinho afetivo de pré-adolescentes e adolescentes no Programa de Apadrinhamento Afetivo do DF (Apadrinhamento afetivo – Aconchego).  Ou ainda ajudar na divulgação da adoção. Compartilhe informações, desfaça mitos e apoie as famílias adotivas. 

Conhecer é o primeiro passo para a mudança. Para saber mais sobre adoção, acesse a página de Adoção no DF.