Historiador Oswaldo Zaidan conta detalhes sobre Pontes de Miranda ao Programa História Oral

Oswaldo Zaidan é coordenador do Memorial Pontes de Miranda no TRT - 19ª Região e responsável pelo material cedido ao TJDFT para a realização da exposição “O Desembargador Pontes de Miranda”, com visitação aberta ao público, até o dia 12 de dezembro, no Hall do Palácio da Justiça.
Durante a entrevista, declarou que seu interesse pela obra de Pontes de Miranda se deu quando assumiu a coordenação do Memorial no ano de 2010, ocasião em que se sentiu instigado a conhecer mais sobre a história do ser humano, sua vida privada, e seus familiares. Descreve Pontes de Miranda, acima de tudo, como homem multifacetado profundo admirador da cultura e do conhecimento, um homem que mergulhou em áreas como a Matemática, a Filosofia, a Literatura, a Sociologia, a Música, a Poesia. “Pontes de Miranda criou uma bagagem cultural que usou em prol do Direito. Ele humanizou o Direito. Ele poetizou o Direito. Ele filosofou o Direito! A união da precisão com a delicadeza", disse.
Fatos da vida pessoal e profissional do jurista foram relembrados durante a entrevista, como o hábito de receber os alunos universitários em sua casa impreterivelmente às sextas-feiras. Autor da obra biográfica “Pontes era assim”, Oswaldo agradece a orientação recebida do jornalista Ivan Barros, amigo íntimo, secretário de Pontes de Miranda e relator da primeira biografia autorizada do jurista.
Dentre as curiosidades relatadas, mencionou a extensa coleção de livros de Pontes de Miranda, dividida em três bibliotecas, que soma mais de 30 mil títulos. Parte do acervo foi comprada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 1985, pelo valor, à época, de R$ 8 milhões.
Questionado sobre a relevância atual da produção literária de Pontes de Miranda, Zaidan brinca que “tá bem na fita!”. Há três anos, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) fez uma pesquisa para saber qual o jurista mais citado em decisões de 1ª e 2ª instâncias e nos tribunais superiores. "E nas três instâncias, Pontes de Miranda foi o mais citado”, complementou o entrevistado.

Oswaldo Zaidan afirma que todas as vezes que lutamos pela democracia, pela liberdade de expressão e pela igualdade, estamos revivendo Pontes de Miranda. “Devemos lutar sempre pelo direito de falar, pelo direito da liberdade de expressão, da liberdade de pensamento, pela igualdade e pela democracia. A liberdade é o nosso maior bem”, declara.
Participaram da gravação: Luis Martius Junior, juiz auxiliar da 1ª Vice-Presidência; Andrea Leonardo Coimbra, Chefe de Gabinete da 1ª Vice-Presidência; Jovaldo Rodrigues, Assessor da 1ª Vice-Presidência; Gabriela de Angelis de Souza Peñaloza Mendes, Secretária da Gestão da Informação e do Conhecimento (SGIC); Antônio Luis Rodrigues, Coordenador de Custódia e Preservação da Memória Institucional (COAMI); Lorena Travaglia, Coordenadora Substituta de Custódia e Preservação da Memória Institucional (COAMI); Vanessa de Souza Dias Rocha, titular do Núcleo de Apoio à Preservação da Memória Institucional (NUAMI).
A entrevista completa estará disponível em breve no canal do TJDFT no YouTube.
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Fotos: Dimmy Falcão
Programa História Oral
O Programa História Oral reúne acervo de entrevistas concedidas por magistrados(as), servidores(as), entre outros personagens, que participaram da trajetória do TJDFT.
Os depoimentos trazem um pouco da história do órgão desde a sua instalação, em 1960, até os dias de hoje, e visa manter viva a história do Judiciário da capital do país. As entrevistas estão disponíveis na Página do Memorial TJDFT.
A desembargadora Maria Thereza Braga Haynes foi a idealizadora e responsável pela implantação do programa em 2008. Mesmo após se aposentar em 1991, contribuiu ativamente para a preservação da memória institucional, com dedicação exemplar e a gravação de 25 entrevistas.
Em 2014, o programa foi retomado, dando continuidade ao registro da trajetória da Justiça no Distrito Federal e nos Territórios. Na atual gestão (2024–2026), a iniciativa foi reafirmada como uma das prioridades da 1ª Vice-Presidência, sob a liderança do desembargador Roberval Belinati, com a realização de novos depoimentos que resgatam e valorizam a história do Tribunal.