Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Primeira desembargadora negra do TJDFT destaca importância de atitudes contra o racismo

por SECOM — publicado 19/11/2025

Em alusão ao Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quinta-feira, 20/11, a primeira desembargadora negra do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Maria Ivatônia dos Santos, destaca a importância de ser antirracista para diminuir as desigualdades. A magistrada faz uma série de reflexões sobre como o racismo se manifesta na história e no dia a dia. A integra do depoimento está disponível no Instagram oficial do TJDFT.

"Não basta dizer eu não sou racista, tem que dizer eu sou antirracista. E fazer isso significa tentativa de diminuição dessa desigualdade, de todas as formas, e em todos os espaços”, destacou. 

Para a desembargadora, há a ideia de que não existe racismo no Brasil. “E esta é a melhor forma de perpetuar o racismo. Nós apagamos nossas figuras históricas negras”, afirmou, fazendo referência a Nilo Peçanha, presidente do Brasil, no período de 1909 a 1910, e a Machado de Assis, escritor e reconhecido como um dos maiores expoentes da literatura brasileira.

A magistrada acredita que é preciso “filosofar como Lelia Gonzales, liderar como Teresa de Benguela, e nos reinventar, como a servidora Victoria Moreno". Victoria é servidora do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para a desembargadora, essas são as formas que negras e negros têm para contribuir, “porque não é justo, não é certo, não está escrito”.

Se me dizem que não há racismo porque você conseguiu, Maria Ivatônia, desembargadora do TJDFT, mulher, negra, classe média baixa, significa que, se você conseguiu, outros podem conseguir. Se Fábio Esteves conseguiu, outros também podem. Fábio Esteves tinha que caminhar 20 km para ir e 20 km para voltar da escola. Ele era o exato exemplo de separados, mas iguais. Se Fábio conseguiu por que o resto não consegue? E eu pergunto: é justo exigir que as crianças caminhem 20 km para ir e 20 km para voltar da escola por que no local que ela mora não havia escola?”. Fábio Esteves é juiz do TJDFT.

 Sobre o Dia da Consciência Negra, a magistrada deixa uma mensagem para todos. “Não há como repactuar sem incomodar. Nós viemos de séculos de uma forma de sociedade que ainda não compreende ou insiste em não compreender. E o que os negros e as negras precisam é compreender que não é favor, é direito, é dever ir atrás e exigir seu lugar”, finalizou. 

Maria Ivatônia tomou posse como desembargadora do TJDFT em dezembro de 2019. Ingressou na magistratura do DF, em maio 1993, como juíza de direito substituta. Atuou na 2ª Vara de Entorpecentes e Contravenções Penais/DF. Foi titular da Auditoria Militar e da 2ª Vara Criminal de Taguatinga. Em abril de 2014, tomou posse no cargo de juíza de direito substituta de 2º grau, antes de se tornar desembargadora.