Parentalidade positiva para desenvolver cidadania em família

Essa data é uma oportunidade de voltarmos nossa atenção para a importância da parentalidade positiva, ou seja, para o que podemos fazer para promover vínculos familiares saudáveis e prevenir violências. A parentalidade positiva é um conceito incorporado à legislação brasileira, pela Lei nº 14.826/2024, como um processo de educação das crianças baseado em um relacionamento de respeito, acolhimento e não violência”. Na prática, isso significa substituir práticas punitivas por estratégias educativas que promovem diálogo, afeto e limites claros.
O psicólogo e assessor da Assessoria da Coordenação da Infância e da Juventude (ACIJ), Reginaldo Torres, explica que os estilos de cuidado são considerados em relação ao nível de controle e ao nível de responsividade afetiva de quem cuida. Nesse sentido, podemos ter uma atuação que varia entre o autoritário, o permissivo, o negligente e o autoritativo.

Para além do convívio familiar, o artigo 6º da lei da parentalidade menciona o apoio emocional também é um dever compartilhado com o Estado e com a sociedade. Assim, as contribuições vêm por meio de políticas públicas de apoio à família, programas de orientação parental, formação de profissionais para orientar cuidadores e campanhas de sensibilização sobre direitos fundamentais, como o direito ao brincar.
A sociedade, por sua vez, pode atuar oferecendo grupos de apoio comunitário, promovendo ações e oportunidades nos quais o convívio seja estimulado. Isso inclui iniciativas como rodas de leitura em praças, atividades culturais em família, programas de mentoria entre gerações e até pequenas ações cotidianas. Ações cotidianas, como compartilhar refeições, cuidar de espaços coletivos ou organizar eventos escolares que aproximem pais, responsáveis e cuidadores da comunidade, também contam.
Essas atitudes podem parecer simples, mas geram efeitos duradouros. Crianças e adolescentes que crescem em lares com vínculos afetivos fortes e diálogo constante tendem a se tornar adultos mais confiantes, empáticos e conscientes de seus direitos. Cuidar de uma criança é também cuidar do futuro — um compromisso que se constrói todos os dias, com presença, respeito e amor.