Servidora do TJDFT apresenta pesquisa sobre autonomia financeira e violência contra mulheres em evento internacional
A coordenadora de Relacionamento com o Usuário (COREU) do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Carolina Campos Afonso, apresentou, de forma remota, nessa segunda-feira, 14/10, seu trabalho no X Congresso Internacional de Direitos Humanos de Coimbra (CIDH Coimbra), em Portugal. https://www.cidhcoimbra.com/
Doutoranda em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade de Brasília (UnB), Carolina é também coordenadora da iniciativa Ouvidoria para Elas, voltada ao acolhimento e escuta qualificada de mulheres em situação de violência. Além disso, integra a equipe do Programa Elas – Programa de Proteção a Magistradas e Servidoras do Tribunal em situação de Violência Doméstica.
A apresentação, intitulada “Independência financeira e violência contra as mulheres: uma análise documental de relatórios institucionais brasileiros”, abordou a relação entre dependência econômica e a perpetuação da violência contra as mulheres, a partir da análise qualitativa de dez relatórios institucionais publicados entre 2023 e 2025.
O estudo evidenciou que a vulnerabilidade financeira e a violência formam um ciclo contínuo, em que uma alimenta a outra, dificultando o rompimento de relações abusivas. A pesquisadora destacou que a independência financeira, embora necessária, não é suficiente para romper ciclos de violência sem políticas públicas integradas e redes de proteção.
Entre os dados apresentados, destacam-se:
- 61% das mulheres afirmam que a dependência financeira impede a denúncia de agressões (DataSenado, 2023);
- 52,2% das vítimas têm renda de até dois salários mínimos (Visível e Invisível, 2025);
- 17,1% foram impedidas de trabalhar ou estudar;
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e 10% foram impedidas de ter dinheiro próprio.
Esses números, segundo Carolina, reforçam que a autonomia econômica das mulheres deve ser compreendida como condição essencial para a proteção e a superação da violência doméstica.
A pesquisadora também observou que, embora políticas recentes como o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios (2023), o Plano Nacional de Cuidados (2024) e a Lei de Igualdade Salarial (Lei nº 14.611/2023) representem avanços, ainda há fragilidades na integração entre as dimensões econômica, social e de proteção.
“A promoção da autonomia financeira das mulheres deve ser compreendida como uma estratégia essencial no enfrentamento à violência. Sem renda e condições materiais, as políticas de proteção ficam limitadas”, afirmou Carolina durante a apresentação.
A participação da servidora reforça o compromisso do TJDFT com a produção de conhecimento, a promoção dos direitos humanos e o fortalecimento de políticas de igualdade de gênero, em sintonia com os valores institucionais do Tribunal.