Cinedebate “Manas” reúne especialistas e público para refletir sobre infância, juventude e Justiça

O evento reuniu sociedade civil, estudantes, profissionais da rede de proteção e representantes do sistema de Justiça para assistir ao filme e participar de uma roda de conversa sobre os desafios vividos por meninas e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Na sua fala de abertura, o juiz Evandro Neiva de Amorim, coordenador da Infância e da Juventude do TJDFT, deu boas-vindas ao público e falou da importância do evento. “É uma satisfação receber todos aqui. É gratificante saber que podemos usar a arte para reunir pessoas e discutir assuntos que impactam nosso dia a dia, como a proteção e os direitos de meninas e mulheres”, destacou o magistrado.
O cinedebate foi mediado por Eva Dengler, superintendente de Programas e Relações Empresariais da Childhood Brasil, e foi prestigiado pelo representante da deputada distrital Paula Belmonte, o assessor Mateus Fernandes; e pela representante da senadora Damares Alves, a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do Brasil, Cristiane Britto.
O filme Manas é dirigido por Marianna Brennand e conta a história de Marcielle, adolescente de 13 anos que enfrenta violências e desigualdades na comunidade onde vive - Ilha do Marajó/PA. Após a exibição da obra, as debatedoras convidadas compartilharam suas experiências com o tema e responderam perguntas da plateia.
Debate e reflexões
A produtora e corroteirista, Carolina Benevides, abriu o debate com a leitura de um manifesto. Ela explicou que “Manas” é fruto de mais de uma década de pesquisa em comunidades ribeirinhas do Marajó, mas que o problema retratado é uma realidade global e sistêmica, naturalizada e invisibilizada. A atriz Fátima Macedo compartilhou o desafio que foi interpretar a mãe da protagonista. Para ela, o comportamento sutil dos agressores torna complexa a distinção ente violência, cuidado e amor.
Em sua fala, a juíza Eugênia Christina Bergamo Albernaz revelou que mais de 9 mil processos estão em andamento só na Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Criança e o Adolescente do DF, na qual ela atua como titular. “Ouvimos histórias assim nos depoimentos especiais, e as crianças nem sempre se dão conta do que de fato está acontecendo”, contou.
A juíza do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Riacho Fundo, Fabriziane Zapata, destacou o quanto é necessário levar informação às escolas para que crianças e adolescentes consigam se proteger. “Nós temos um programa, Maria da Penha Vai à Escola, que é do Tribunal de Justiça e de outros 14 partícipes aqui no DF. [...] porque sem educação formal, vinda do poder público, a gente não sai desse cenário horroroso”, explicou.
A psicóloga e coordenadora psicossocial da 1ª Vara da Infância e da Juventude, Luciana de Paula Gonçalves, ressaltou a educação como principal ferramenta para prevenção da violência e a atuação conjunta das instituições e profissionais. “É possível ouvir, atuar e articular a rede para que elas [crianças e adolescentes] tenham o melhor atendimento possível e imaginável para tentar construir um caminho diferente”, explicou.
Em sua fala de encerramento, Eva Dengler destacou ações positivas que envolvem a parceria entre sociedade e o poder público. "Atuamos em parcerias como o projeto Impulsiona, uma parceria entre o TJDFT e o SEST/SENAT. Ações como essa, que trazem um jovem de volta para a escola e colocam ele em programa de aprendizagem, são uma resposta bem importante que pode ser dada em favor de jovens”, concluiu.
Veja as fotos do cinedebate no Flickr do TJDFT.
Fotos: Rafael Victor
