Vocação e compromisso com a magistratura: juiz Luis Martius Junior conta trajetória ao Programa História Oral

Filho único, nascido em Fortaleza/CE, o magistrado de 52 anos mudou-se ainda criança para Brasília, em 1977, onde construiu sua trajetória pessoal e profissional. Em seu currículo, ressalta a formação em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), em 1996, pós-graduação em Direito Civil também pelo UniCeub, em 2008, e o curso de aperfeiçoamento em Gestão Judiciária na University of Georgia - School of Law, em 2010. O magistrado é mestre em Direitos da Personalidade pela Faculdade de Direito de Lisboa, em 2016, sob a orientação do professor e doutor António Menezes Cordeiro, uma das maiores autoridades do Direito mundial.
Antes da magistratura, trabalhou em diversas instituições, como escritórios de advocacia, na Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Reafirmou sua vocação para a magistratura com a influência do avô paterno, que foi presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) e do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), e o exemplo recebido no convívio com grandes magistrados, como os ministros Garcia Vieira, do STJ, e Vantuil Abdala, do Tribunal Superior do Trabalho (TST). " Sempre quis ser juiz. Minha vocação e meu chamado sempre foram para a magistratura", pontuou.
Aprovado em diversos concursos públicos, exerceu o cargo de técnico judiciário no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em 1999, foi aprovado para o cargo de juiz substituto no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), com atuação em vara única na comarca de Alto Paraíso/GO. “ Foram anos riquíssimos. A vida de juiz do interior é única. Quando cheguei, a comarca estava mais de oito meses sem juiz titular e tinha fila de réu preso. Até hoje, o júri mais difícil que já fiz foi lá com duração de 26 horas, sem poder dormir porque se dormisse não conseguiria garantir a incomunicabilidade dos jurados. Tinha que manter os jurados acordados à base de café e balinha de hortelã”, relembrou o magistrado.
Luis Martius Junior ingressou no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), em 2001, e é juiz titular da 22ª Vara Cível de Brasília há 14 anos. Ao recordar sua experiência na Vara de Execuções Penais e no Tribunal do Júri de Samambaia, destacou o contato com a realidade do sistema prisional e reafirmou sua crença na ressocialização quando associada ao trabalho ou estudo. "Se nós não tivermos esses dois motores, o que nós vamos fazer é guardar uma pessoa em um lugar muito pior para depois, reinseri-la na sociedade", afirmou.
Na administração do TJDFT, exerceu os cargos de juiz-auxiliar da Corregedoria (2016-2018), juiz auxiliar da Presidência (2022-2024) e, atualmente, é juiz auxiliar da 1ª Vice-Presidência (2024-2026).
Assista a íntegra da entrevista no canal oficial do TJDFT no YouTube.
Programa História Oral
O Programa História Oral reúne acervo de entrevistas concedidas por magistrados(as), servidores(as), entre outros personagens, que participaram da trajetória do TJDFT.
Os depoimentos trazem um pouco da história do órgão desde a sua instalação, em 1960, até os dias de hoje, e visa manter viva a história do Judiciário da capital do país. As entrevistas estão disponíveis na Página do Memorial TJDFT.
A desembargadora Maria Thereza Braga Haynes foi a idealizadora e responsável pela implantação do programa em 2008. Mesmo após se aposentar em 1991, contribuiu ativamente para a preservação da memória institucional, com dedicação exemplar e a gravação de 25 entrevistas.
Em 2014, o programa foi retomado, dando continuidade ao registro da trajetória da Justiça no Distrito Federal e nos Territórios. Na atual gestão (2024–2026), a iniciativa foi reafirmada como uma das prioridades da 1ª Vice-Presidência, sob a liderança do desembargador Roberval Belinati, com a realização de novos depoimentos que resgatam e valorizam a história do Tribunal.