Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Programa História Oral do TJDFT registra memórias do juiz Gilmar Rodrigues

por VL — publicado 23/02/2026

Des. Roberval Belinati e juiz Gilmar Rodrigues sentadosNa tarde desta segunda-feira23/2,  o 1º vice-presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), desembargador Roberval Belinati, recebeu o juiz de direito  Gilmar Rodrigues da Silva, titular da 2ª Vara Criminal de Águas Claras, em mais uma entrevista para o Programa História Oral. A gravação aconteceu no Memorial TJDFT – Espaço Desembargadora Lila Pimenta Duarte.   

Piauiense nascido em 1957, Gilmar Rodrigues passou a infância no campo, na zona rural de São Raimundo Nonato. Filho de Romão, pequeno agricultor e pecuarista, cresceu no sítio que garantia o sustento da família. Apesar da distância de 5 km até a cidade, estudar nunca foi um obstáculo: diariamente, ele e os oito irmãos percorriam o trajeto montados em jegue ou a cavalo. 

Aos 16 anos, Gilmar mudou-se para a cidade para seguir os estudos ginasiais. “Apesar das dificuldades, éramos felizes”, recordou. Três anos depois, diante de novas barreiras para continuar estudando, transferiu-se para Brasília, onde passou a viver com uma tia. “Já sabia que seria difícil, mas a vida me apresentou algo ainda mais...”, relembrou. Para se manter, trabalhou no comércio, conciliando a rotina pesada com o supletivo, por meio do qual conseguiu continuar os estudos. Formou-se em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), em 1987. 

A trajetória profissional de Gilmar nunca permitiu pausas. Antes de ingressar na magistratura, atuou no Ministério da Previdência e Assistência e exerceu o cargo de Defensor Público do Distrito Federal. “Não consigo me imaginar parado, sem trabalhar. Trabalho desde criança!”, afirmou. 

Casado há 39 anos e pai de dois filhos, emocionou-se ao recordar a fala do primogênito, que guarda a imagem constante do pai com um livro na mão, sempre estudando. 

Ao tomar posse como juiz substituto, em 1999, aos 42 anos, foi designado para a Vara do Tribunal do Júri do Gama. Lá, contou com o acolhimento e a orientação do então juiz — hoje desembargador — Arquibaldo Carneiro. “Ele me ensinou muito e me deixou à vontade até que me sentisse seguro”, relatou. 

Em 2004, assumiu a titularidade da Vara do Tribunal do Júri da Ceilândia, onde permaneceu por mais de 16 anos. Desse período, destacou casos marcantes e o enfrentamento às gangues que atuavam na região, desafios que exigiram firmeza e sensibilidade. 

Atualmente,  titular da 2ª Vara Criminal de Águas Claras, o magistrado chama atenção para o crescente volume de processos envolvendo estelionatos e fraudes eletrônicas — os chamados “golpes virtuais”. 

Ao final da entrevista, fez questão de agradecer nominalmente à equipe que o acompanha, ressaltando que, sem ela, o sucesso do trabalho não seria possível. “Espero estar à altura da missão que Deus me ofereceu.” 

equipe de servidores Participaram da gravação Gabriela Peñaloza, secretária  de Gestão da Informação e do Conhecimento (SGIC); Jovaldo Rodrigues, assessor da  1ª Vice-Presidência; Vanessa Rocha, supervisora do Núcleo de Apoio à Preservação da Memória Institucional (NUAMI);  Guilherme Guth, gestor substituto do Núcleo de Apoio à Preservação da Memória Institucional (NUAMI) ; Lorena Travaglia, gestora substituta da Gestão da Informação e do Conhecimento (SGIC) e Antônio  Luís Rodrigues, coordenador de Custódia e Preservação da Memória Institucional (COAMI)   

A entrevista completa estará disponível em breve no canal do TJDFT no YouTube.  

Veja as fotos da entrevista

Fotos: Rafael Victor

Programa História Oral  

O Programa História Oral reúne acervo de entrevistas concedidas por magistrados(as), servidores(as), entre outros personagens, que participaram da trajetória do TJDFT.     

Os depoimentos trazem um pouco da história do órgão desde a sua instalação, em 1960, até os dias de hoje, e visa manter viva a história do Judiciário da capital do país. As entrevistas estão disponíveis na  Página do Memorial  TJDFT.     

A desembargadora Maria Thereza Braga Haynes foi a idealizadora e responsável pela implantação do programa em 2008. Mesmo após se aposentar em 1991, contribuiu ativamente para a preservação da memória institucional, com dedicação exemplar e a gravação de 25 entrevistas.