Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

"Ciúme é um convite à reflexão", afirma pesquisadora de gênero em webinário no TJDFT

por CS — publicado 29/01/2026

audiodescrição: tela do Canal do TJDFT no YouTube com o servidor Marcos Francisco de Sousa e a palestrante convidada. Abaixo deles, em linha horizontal, a transcrição da fala está sendo exibida.Ciúmes e violência de gênero contra as mulheres foi o tema do webinário realizado, nessa quarta-feira, 28/1, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), por meio de sua Coordenadoria da Mulher em situação de Violência Doméstica e Familiar (CMVDDF). A ação foi transmitida ao vivo pelo canal do TJDFT no YouTube e contou com a adesão de mais de 350 participantes 

bate-papo foi conduzido pelo assistente social Marcos Francisco de Sousa, servidor do Tribunal, mestre em Política Social, formador da Escola Nacional de Formação de Magistrados (Enfam) e da Escola Judiciária do TJDFT (EjuDFT), com 13 anos de atuação na CMVC. A convidada a falar sobre o assunto foi a psicóloga Maísa Guimarães, mestra e doutora pela Universidade de Brasília (UnB), pesquisadora do Grupo de Pesquisa Saúde Mental e Gênero (CNPq-UnB) e atuante na Secretaria da Mulher do Distrito Federal desde 2010. 

Marcos Francisco citou sua experiência na condução dos grupos reflexivos de homens, lembrou a naturalização do sentimento por muitos, inclusive pelas mulheres e destacou que "o ciúme é um dos principais motivos alegados pelos homens que assassinaram mulheres.  

Para a doutora Maísa, questionou se o ciúme pode ser considerado, em alguma medida, demonstração de amor. “Sentimentos são fatos sociais também. Sentir não é um reflexo puramente individual de algo interno do sujeito. Todas as sociedades e todas as culturas definem diferentes pedagogias de afeto. Esse é um conceito da professora Valeska Zanello. Se pararmos para pensar, o ciúme é um sentimento associado a uma sensação de ameaça ou de medo de perder algo e envolve uma reação a essa sensação”, observou.

Além disso, a convidada afirma que o sentimento propõe uma reflexão. O que eu tenho feito com essa sensação? Será que eu estou me responsabilizando por isso ou  transferindo para outra pessoa? Será que ao perceber essa sensação, eu agi violando o direito da outra pessoa? Será que eu cometi uma violência como uma forma de ter controle sobre o outro e, com isso, evitar aquela sensação de desconforto, apontou. Segundo a pesquisadora, só achar que o sentimento é bom ou ruim, certo ou errado, não resolve. "É preciso dizer que, enquanto sentimento, ele pode existir. Mas é preciso problematizar sobre isso". 

Além de Brasília, o evento contou com inscritos de outros estados, como servidores do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO)  e da cidade de Presidente Prudente, em São Paulo. 

O webinário é um convite a repensar atitudes e comportamentos, tanto masculinos quanto femininos. O TJDFT entende que todos devemos fazer parte da reconstrução de valores estruturais para uma sociedade mais justa, de paz e igualdade entre homens e mulheres. Por isso, ao longo de todo o ano são realizadas ações com vistas à formação de estagiários, servidores, magistrados e integrantes da rede de proteção 

enfrentamento à violência contra as mulheres é uma luta de toda a sociedade e pode começar por você. Não se exima. Participe!