"Ciúme é um convite à reflexão", afirma pesquisadora de gênero em webinário no TJDFT

O bate-papo foi conduzido pelo assistente social Marcos Francisco de Sousa, servidor do Tribunal, mestre em Política Social, formador da Escola Nacional de Formação de Magistrados (Enfam) e da Escola Judiciária do TJDFT (EjuDFT), com 13 anos de atuação na CMVC. A convidada a falar sobre o assunto foi a psicóloga Maísa Guimarães, mestra e doutora pela Universidade de Brasília (UnB), pesquisadora do Grupo de Pesquisa Saúde Mental e Gênero (CNPq-UnB) e atuante na Secretaria da Mulher do Distrito Federal desde 2010.
Marcos Francisco citou sua experiência na condução dos grupos reflexivos de homens, lembrou a naturalização do sentimento por muitos, inclusive pelas mulheres e destacou que "o ciúme é um dos principais motivos alegados pelos homens que assassinaram mulheres”.
Para a doutora Maísa, questionou se o ciúme pode ser considerado, em alguma medida, demonstração de amor. “Sentimentos são fatos sociais também. Sentir não é um reflexo puramente individual de algo interno do sujeito. Todas as sociedades e todas as culturas definem diferentes pedagogias de afeto. Esse é um conceito da professora Valeska Zanello. Se pararmos para pensar, o ciúme é um sentimento associado a uma sensação de ameaça ou de medo de perder algo e envolve uma reação a essa sensação”, observou.
Além disso, a convidada afirma que o sentimento propõe uma reflexão. “O que eu tenho feito com essa sensação? Será que eu estou me responsabilizando por isso ou ‘tô’ transferindo para outra pessoa? Será que ao perceber essa sensação, eu agi violando o direito da outra pessoa? Será que eu cometi uma violência como uma forma de ter controle sobre o outro e, com isso, evitar aquela sensação de desconforto”, apontou. Segundo a pesquisadora, só achar que o sentimento é bom ou ruim, certo ou errado, não resolve. "É preciso dizer que, enquanto sentimento, ele pode existir. Mas é preciso problematizar sobre isso".
Além de Brasília, o evento contou com inscritos de outros estados, como servidores do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) e da cidade de Presidente Prudente, em São Paulo.
O webinário é um convite a repensar atitudes e comportamentos, tanto masculinos quanto femininos. O TJDFT entende que todos devemos fazer parte da reconstrução de valores estruturais para uma sociedade mais justa, de paz e igualdade entre homens e mulheres. Por isso, ao longo de todo o ano são realizadas ações com vistas à formação de estagiários, servidores, magistrados e integrantes da rede de proteção.
O enfrentamento à violência contra as mulheres é uma luta de toda a sociedade e pode começar por você. Não se exima. Participe!